O Contador de Histórias


Filme biográfico, que conta a história de um contador de histórias. Trata-se de Roberto Carlos Ramos, ou Roberto Carlos Contador de Histórias, como é conhecido em Belo Horizonte. O diretor Luiz Villaça descobriu O Contador de Histórias por acaso, em um livro infantil que seu filho havia ganhado de presente, e após ler a história de Roberto Carlos, desenvolveu o projeto do filme premiado com o selo da Organização das Nações Unidas.

O filme passa-se na década de 1970, iniciando sua ação na cidade de Belo Horizonte onde Roberto Carlos Ramos vive com a mãe e seus nove irmãos em uma favela. Cansada de ver o sofrimento de seus filhos, ela decide entregar Roberto para FEBEM.
"Muitos menores como eram chamados às crianças e os adolescentes eram retirados de suas casas, alegando a precariedade e falta de condições estruturais da família pobres, que eram consideradas indignas para cuidar de seus próprios filhos." Após assistir a uma propaganda na TV divulgando um cenário totalmente positivo do trabalho desenvolvido na FEBEM, a mãe de Roberto, esperançosa de que o filho se torne “doutor”, decide interná-lo. Entre fugas e capturas, Roberto cresce convivendo e adquirindo experiências com os meninos de rua e aos poucos vai construindo sua identidade.
Na instituição, Roberto Carlos usa sua criatividade para conseguir mais comida e atenção, também aprende a impor moral entre os internos, mas ao tornar-se adolescente é transferido para outra instituição onde as regras são mais rígidas.Para fugir de castigos físicos, ele e outros internos descobrem o mundo das drogas e de pequenos delitos, fugindo sempre que aparece oportunidade para isso. Seu comportamento é rotulado pela instituição de irrecuperável. Nesse momento de sua vida, aparece a pedagoga francesa Margherit Duvas, que aos poucos, com palavras carinhosas e atitudes educadas vai conquistando o menino "irrecuperável". Ela o adota e ele então tem a chance de se alfabetizar, estudar e dar asas a sua criatividade.

"Gostava de embolar pipas nos fios. Para ver se um dia, minha rua saia voando"



"Nossa casa era de telhado de zinco e aos domingos, era dia de galinha assada. O teto era tão quente, que galinha entrava por uma porta e já saía assada"

"Ela era a gigante da rua que vendia biju"

Convivemos com um momento histórico de grandes mudanças sociais, culturais, econômicas e políticas em que a discussão sobre a situação da criança e do adolescente ganha cada vez mais relevância. Em resultado destas transformações a educação escolar passou a assumir um papel importante neste cenário. Nesta perspectiva, os Estudos Culturais defendem que a escola deve ser um ambiente da diversidade cultural que promova ferramentas básicas do conhecimento para propiciar melhor compreensão de questões sociais. Ressaltam também o rompimento das barreiras disciplinares que permitem transitar por diferentes áreas de conhecimento, tendo em vista que uma determinada disciplina não abarca todas as possibilidades de apreender um objeto a ser conhecido. Esta análise crítica apresenta uma possibilidade de ação pedagógica na educação escolar. 

A discussão da uma narrativa de um filme no processo de ensino e de aprendizagem na escola pode ampliar a reflexão sobre os problemas culturais, sociais e políticos. Isso é bem observado, pela trajetória traçada no filme, onde o Roberto Carlos Ramos, uma criança pobre e negra de Belo Horizonte que foi entregue a FEBEM (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor). Entre fugas e capturas da instituição que abrigava crianças pobres e abandonadas, Roberto cresce convivendo e adquirindo experiências com os meninos de rua e assim, construindo aos poucos sua identidade. Sua vida começa a mudar quando ele conhece essa pedagoga francesa, que realizava uma pesquisa na FEBEM. Ela proporciona a Roberto novas vivências que aos poucos, modificam suas representações sociais. 




Reflexões sobre como identidades e representações sociais vão se construindo com base nas experiências de vida e como elas também podem se modificar quando resultam em novas formas de ver e agir sobre o mundo.FEBEM foi uma instituição que abrigava crianças pobres e abandonadas."Na década de 1970 quando o poder público institucionalizava um espaço para abrigar tanto crianças em situação de rua como qualquer criança pobre, os chamados pobres e abandonados", com a promessa de garantir um futuro promissor. A partir do ponto de vista apresentado pelo autor, percebe-se uma conduta anti educativa claramente estabelecida, quando as crianças são discriminadas desde o inicio, em cujos centros que, deveriam cuidar ou mesmo reorientar as crianças em conflito com a lei. 








Narrativa Fílmica

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"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho." (Orson Welles)

 

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