Contágio



"Um morcego que comia uma banana deixa um pedaço dela cair em um local onde se cria porcos. Um dos porcos come o pedaço de banana que caiu no chão. Bum! deu-se junção do DNA de morcego com DNA de porco. Este mesmo porco é abatido e é enviado para uma cozinha, onde um cozinheiro o prepara e sem lavar devidamente as mãos, ele..." 

Mais um filme sobre epidemias? Não. Contágio de Steven Soderbergh mostra o progresso de um vírus letal, transmissível pelo ar e que mata em poucos dias. Como epidemia se espalha rapidamente, a comunidade médica mundial inicia uma corrida para encontrar a cura e controlar o pânico que se espalha mais rápido do que o próprio vírus. Ao mesmo tempo, pessoas comuns lutam para sobreviver em uma sociedade que está desmoronando.  No longa temos, Marion Cottilard, Jude Law, Matt Damon, Laurence Fishburne, Gwyneth Paltrow, Kate Winslet e grande elenco.  Soderbergh nos leva de forma natural até o epicentro dessa crise de saúde pública.  Com um tom de documentário e com conteúdo eficiente, sobre formas de transmissão, como funcionam os órgãos de pesquisa, formas de combate, questões éticas e morais, que nos levam a compreender conceitos a respeito do que são os laboratórios farmacológicos, modo de ação da imprensa, órgãos públicos e regras de Estado. 

"No aeroporto, Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow) conversa ao telefone sobre a noite maravilhosa que teve e está aguardando o voo para casa, na volta de uma viagem de negócios a Hong Kong. Na sequência, a legenda indica: Segundo dia, Hong Kong, e a população do país. E aí um clipe vai mostrando outras cidades populosas, como Londres, Minneapolis, Tóquio, sempre com o mesmo perfil: locais cheios e alguém passando mal, tossindo e com febre. E daí, é como um efeito dominó: um caso vira quatro, depois 16, e milhares de pessoas em diversos cantos do mundo com os mesmo sintomas. Aí começa a investigação sobre o vírus e como ele pode ser evitado."

O filme mostra uma interessante reflexão a respeito do código moral da sociedade. Quando o caos se instala, pessoas são forçadas a ficar em quarentena, o estoque de alimentos se esgota e o número de mortos sobe rapidamente, maioria das pessoas deixa o código moral no esquecimento e muitos cometem sequestro, matam, roubam, agridem. Impera lei da sobrevivência, onde o mais contagioso que a doença será o medo.O personagem Alan Krumwiede (interpretado por Jude Law) faz o papel de um blogueiro que denuncia os interesses econômicos da indústria farmacêutica no processo de produção de uma vacina contra o vírus. Mas, será que Krumwiede é um homem comprometido com a verdade e interessado em “abrir os olhos” das pessoas? O personagem de Law, instiga relexão sobre como os governos controlam informações que deveriam ser divulgadas. Ele coloca em dúvida até o papel dos cientistas, com resoluções deturpadas, insiste em salientar que eles estão ocupados em impedir que determinadas informações vazem para a imprensa. O que na realidade, não é assim, muitas vezes, alguns alarmes pelo sistema de pesquisa/saúde não saem até real comprovação, pois o objetivo não é criar situações de pânico e sim, entendimento do funcionamento daquele panorama epidêmico.





Como falamos no início, temos uma executiva que está a trabalho na China, tendo contato com a cultura local e com pessoas de diversos lugares, ao voltar para sua casa nos Estados Unidos, reencontra seus familiares e ao mesmo tempo, não se sentindo bem, acredita que está sofrendo de cansaço, quando pouco tempo depois acaba entrando em convulsão. E pensar que tudo começou com....{sem spoilers}eficiência do filme é notada em todo momento, até na importância em mostrar o trabalho de biólogos, cientistas e médicos quando analisam um vírus e o quanto somos ínfimos perante por exemplo, uma simples infecção por salmonela. O que mais gosto neste longa é a lucidez quando comparam, esse vírus, com a pandemia da gripe suína (H1N1) que deixou pessoas apavoradas atrás de vacina. Em Contágio, uma personagem destaca: “Tentamos alertar da H1N1, mas deixamos pessoas sãs, em pânico”. Comparam também com a Gripe Espanhola, que em 1918 dizimou 50 milhões de pessoas. E ainda fazem o alerta sobre higienização das mãos, quando o personagem de Laurence Fishburne, explica sobre origem do aperto de mãos.
Ou seja, o simples ato de higienização das mãos, poderia limitar e muito, certas viroses e com isso diminuir filas imensas no serviço público/particular de saúde. É a medida individual mais simples e menos dispendiosa para prevenir a propagação das infecções relacionadas à assistência à saúde.  

Mãos constituem principal via de transmissão de microrganismos, pois a pele funciona como um possível reservatório, que podem se transferir de uma superfície para outra, por meio de contato direto (pele com pele), ou indireto, através do contato com objetos e superfícies contaminados, como vimos no filme. Pele das mãos alberga, principalmente, duas populações de microrganismos: os pertencentes à microbiota residente e à microbiota transitória. A microbiota residente é constituída por microrganismos de baixa virulência, como estafilococos, corinebactérias e micrococos, pouco associados às infecções veiculadas pelas mãos. É mais difícil de ser removida pela higienização das mãos com água e sabão, uma vez que coloniza as camadas mais internas da pele. A microbiota transitória coloniza a camada mais superficial da pele, o que permite sua remoção mecânica pela higienização das mãos com água e sabão, sendo eliminada com mais facilidade quando se utiliza uma solução antisséptica.
Um vírus que tem a propriedade de se multiplicar rapidamente e com essa intensidade de contágio, pode causar uma epidemia de ordem mundial, onde uma pessoa infectada espalha o vírus para outras, criando um efeito em progressão geométrica. O pânico causado pelo desconhecido, acaba gerando população enfurecida, saques de lojas, armazenamento de alimentos, fuga da cidade (mesmo em quarentena) e com quase 30 milhões de mortos, o CDC(Centers for Disease Control and Prevention) tornou-se alvo fácil para o ataque da mídia e cidadãos que desconhecem o poder de um vírus. Ou seja, nunca lavar mãos soou tão na "moda", como nos tempos atuais. E quando assistimos, inevitável não pensar, naqueles chefs/cozinheiros que lambem os dedos ou no poder das indústrias farmacêuticas versus consumidores.




1 comentários:

  1. Muito bom o filme. Vai além de um simples longa sobre epidemia.

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"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho." (Orson Welles)

 

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