50/50


Joseph Gordon-Levitt  e ótima trilha sonora, sempre dão certo?

Bom, parece que sim e 50% o filme de Jonathan Levine nos presenteia com um elenco formidável - Joseph Gordon-Levitt, Seth Rogen, Anna Kendrick, Bryce Dallas Howard, Anjelica Huston, Matt Frewer, Philip Baker Hall. E trilha sonora impecável.
O filme conta a história de Adam(Joseph Gordon-Levitt) que aos 27 anos descobre um câncer raro na coluna(especificamente na vértebra L5) Adam tenta retomar seu cotidiano normalmente, mas o problema e a solução, são os outros(ou não). Seu melhor amigo, Kyle(Seth Rogen) com seu jeito estabanado, machista e sem noção  se mostra o único e verdadeiro amigo ao lado de Adam.
Um amigo, que faz de tudo para tornar a jornada entre quimioterapia e terapias menos penosa.
Logo, no início do filme temos um médico que ao falar sobre o diagnóstico, nem olha na cara do Adam, preocupando-se apenas em gravar sua própria leitura e somente quando escuta  a brilhante frase de Adam o médico, por fim, enxerga o humano a frente dele: 
"Eu tenho câncer? Mas, não fumo,não bebo e separo meu lixo para reciclagem". Nesse longa, temos de tudo um pouco, comédia, drama, o estilo de humor juvenil de Kyle propositalmente, deixa o filme mais leve e até positivo.O desenrolar da trama cresce gradativamente, nos presenteia com uma dramaticidade não apelativa e sobretudo relevante,para aqueles que já enfrentaram o problema.
Como citei acima, a trilha sonora de Michael Giachinno (o mesmo de UP, Star Trek, Missão Impossível 3) faz o brilhante papel de amarrar todo o enredo.Em destaque temos: Jacuzzi Boys – Bricks or Coconuts, Radiohead – High and Dry,Bee Gees – To Love Somebody,The Sideway Runners – Turn It Down,Roy Orbison – Crying,Liars – The Other Side of Mt. Heart Attack e Pearl Jam – Yellow Ledbetter.


Nós todos vamos morrer. E, acredite ou não, esse é um evento tão natural, quanto nascer ou ter filhos.
Adam, mostra o lado psicológico do personagem enfrentando todos os estágios: suposta aceitação/compreensão, raiva, solidão, indiferença e por fim o medo(cair da ficha) ao lado de sua terapeuta Katherine[fofa]ele consegue aos poucos lidar com tudo isso, mesmo com a presença da mãe super protetora Diane, acostumada a ser coadjuvante na vida familiar e com o marido que tem Alzheimer, decide 'grudar' no filho com um instinto maternal compreensivelmente sufocante.
Isso sem contar os colegas de trabalho que ao invés de um homem, enxergam um cadáver ambulante. Mas, afinal, se a morte é tão comum e corriqueira, por que ela nos causa tanto medo? "O maior desejo do homem é a imortalidade", diz a psicóloga Ingrid Esslinger (USP SP) a morte pode ser vista como um mistério, um tabu ou algo que não gostamos de falar. E parece, que todos começamos a morrer assim que nascemos,não é? Já pensaram se a nossa vida começasse pela morte e fosse caminhando por todos estágios até o dia da concepção/nascimento, absurdamente insano,rs.


  O fato é que mundo ocidental transformou a morte em tabu: ela costuma ser ocultada das crianças e banida das conversas cotidianas. O medo da morte é um sentimento inerente ao processo de desenvolvimento humano. Aparece na infância, a partir das primeiras experiências de perda. E tem várias facetas: trata-se de um medo do desconhecido, somado ao medo da própria extinção, da ruptura da teia afetiva, da solidão e do sofrimento. “O medo da morte é fundador da cultura”, diz a socioantropóloga Luce Des Aulniers, responsável pela disciplina de Estudos Sobre a Morte, da Universidade de Quebec, em Montreal, Canadá.
“Esse medo funciona como pivô e como motor de todas as civilizações. A partir do desejo de perenidade, se desenvolvem as instituições, as crenças, as ciências, as artes, as técnicas e mesmo as organizações políticas e econômicas.” No entanto, o medo de morrer pode gerar um apego desmedido a elementos cotidianos e um consequente desespero diante da possibilidade de vir a “perder tudo” com a morte. Ou ainda, podemos virar 'um bom cidadão' de uma hora para outra e colocar o arrependimento como um fator 'vital'

 O filme, recheado de humor negro deixa claro que  o culto ao ego, ao “pequeno eu” que há dentro de cada um de nós é algo passageiro e que devemos enxergar à vida de uma maneira mais simples, isenta do conto de fadas, mais visceral, pulsante e com prazo determinado. Quem sabe assim, nossas ações se tornem menos mecânicas e mais fraternais.

A direção de Jonathan Levine é corajosa e ao mesmo tempo descompromissada. Com uma iluminação interna digna de Oscar, mantendo o foco nos detalhes[amo isso] enfatiza  as interpretações e o fabuloso texto de Will Reiser(que usou sua própria história para criar o roteiro) Joseph Gordon-Levitt, está soberbo com uma atuação inteligente e carismática. Anjelica Huston[eterna Sra. Nicholson) está impecável. 50%  é um filme que não valoriza a tristeza(embora ela esteja ali) um filme que mostra o sofrer calado, o sorrir por fora e acima de tudo um modo singular, de enfrentar o desconhecido.
 Ou o que somos, fazemos e vivenciamos é o que deixaremos registrado.



2 comentários:

  1. Querida Patt,
    Em alguns momentos eu chorei com as coisas que li aqui, (eu lembrei de cenas reais com os meus pais..). É uma história fortemente visceral e não tem como não se emocionar.., só de ouvir o vídeo do Radiohead, dá para sentir o filme por inteiro! E esse ator, o "Joseph Gordon-Levitt / Adam", como ele se parece com o Heath Ledger nesse filme, usando essa touca.., eu até pensei que era ele, daí fiquei mais triste ainda! Quero ver esse filme, deve ser uma linda história apesar do seu teor, e porque tem algumas músicas bem clássicas, tipo "To Love Somebody", Jefferson Airplane/ Janis.., putz, Roy Orbison, Pearl Jam.. hmm, só pelas músicas o filme já é fantástico!
    Parabéns por tudo que li aqui, adorei apesar de, querendo ou não, termos que admitir o fato de que um dia todos nós seremos "pó", de um modo, ou de outro, e essa sua frase --> "mostra o sofrer calado, o sorrir por fora e acima de tudo um modo singular, de enfrentar o desconhecido; um relato que não valoriza a tristeza, apesar dela estar ali, o tempo todo". Nossa, é de arrepiar!!
    Bjokas no core .. <3

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  2. Lu,
    você não ideia o quanto este filme mexe comigo.
    Assista, vai amar!
    Fiquei feliz com sua visita :D
    beijo enorme minha amiga,

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"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho." (Orson Welles)

 

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