Era Uma Vez...



"Uma história de amor numa cidade partida." E a poesia subiu o morro.
Era Uma Vez...O Filme.
Mais um filme sobre samba, sexo, futebol e violência?
Não, definitivamente, não!
O segundo longa-metragem do diretor Breno Silveira, não foge da realidade, porém,  mostra o romance de Nina,de um jeito mais 'poético'. Nina, é uma garota rica da zona sul carioca e Dé, um rapaz pobre e honesto. Diferenças sociais vêm à tona, porém isso não é o suficiente para acabar com o amor do jovem casal. Como, em 2 Filhos de Francisco (2005), filme que levou mais de 5 milhões de espectadores ao cinema, Breno mantém a mesma fórmula de humanizar seus personagens.
Dé vê uma garota que ele já observa há alguns dias, Nina (Vitória Frate) moradora de um luxuoso condomínio da Viera Souto, brigar com o namorado. Ela fica atordoada e vai em direção à praia.
Dé consegue salvá-la de um assalto e gentilmente leva 'sua' Nina para casa.
Finalmente o bom moço fala com a sua donzela e a partir daí, namoro na certa.
Nina sobe ao morro para se encontrar com Dé, junto com a amiga Cacau (Luana Schneider), as meninas conhecem o baile funk e a donzela da Zona Sul carioca se encanta com seu Príncipe do Morro . Logo, uma noite de amor  e tudo são flores.
Não, por acaso, em uma cena na praia, Nina lê o livro:  Cidade Perdida (2000) do jornalista mineiro Zuenir Ventura,a obra trata da dualidade de realidades que pessoas da mesma cidade, enfrentam para sobreviver.
O  final do filme teve inspiração no longa Ônibus 174 (2002) de José Padilha. Com alguns retoques, pois a primeira ideia, foi considerada violenta ao extremo. Mesmo com o roteiro previsível, o conto de fadas, é agradável e funcional.
Nosso protagonista, Thiago Martins está soberbo no quesito atuação. Ele que teve seu início de carreira na Cia Nós do Morro, volta ao 'berço', realizando sessão de fotos com Atriz Paloma Bernardi. Thiago, apresentou ao estilista Marc Ecko  o morro do Vidigal.
Além de mostrar fotos antigas ao estilista e explicar o trabalho feito no Vidigal, Thiago ressaltou que “mais do que formar atores, o Nós do Morro forma cidadãos’.
Parece, que o Morro Cantagalo desde 2009 'respira' um ar de tranquilidade. Desde que o tráfico armado foi expulso do Morro, comunidade nota o aumento do fluxo de turistas na favela. Com vista privilegiada para as praias de Ipanema, do Leblon e da Lagoa Rodrigo de Freitas, comunidade merece respeito e melhorias.
Sabemos, que investimento em Favelas é lucro certo, tanto para comunidade quanto turismo.
As áreas de atuação dos projetos vão de cultura a reciclagem, de saúde a educação.
Cantagalo - agora facilmente acessível graças a um elevador inaugurado em 2010, que vai de Ipanema para o alto do morro em menos de 30 segundos.
"Ter esse retorno para os moradores é o desafio", diz Bianca Freire-Medeiros, pesquisadora do CPDOC/FGV que desde 2005 estuda turismo em favelas do Rio, sobretudo na Rocinha.
"Na Rocinha, o turismo já existe há bastante tempo. A maior parte das visitas é organizada por grupos externos, mas há artesãos locais que vivem do turismo. Só que é um grupo pequeno em relação ao universo de moradores", aponta.
Como parte de uma pesquisa para a FGV feita no ano passado a pedido do Ministério do Turismo, Freire-Medeiros entrevistou 900 turistas na chegada ao Aeroporto Internacional do Rio. A pergunta era se fariam passeios por favelas.
"Vimos que a visita já está muito incorporada à imagem do Rio. A favela é como futebol, samba, carnaval", diz. Por outro lado, ainda existe uma resistência em relação a hospedagem, afirma, e os turistas deixam pouco dinheiro nas favelas.
O turismo pode mudar a opinião das pessoas em relação à favela.Acho que um dos principais benefícios do turismo é a troca de culturas, de experiências, de ideias. O filme, retrata o Morro de um jeito lírico, sem perder esse pseudo choque com a realidade.
Outro filme, que tem como pano de fundo o mesmo assunto é Astro - Uma Fábula no Rio de Janeiro.
Os dois filmes, mostram que ainda podem existir amores em grandes centros urbanos, seja caótico, cosmopolita, expresso ou solitário...Ainda é possível se apaixonar, amar e sonhar.
Além, tudo isso o que mais me encantou neste filme, foi o sério envolvimento social. Desde pré produção, pós produção, campanha de marketing. Quase tudo, teve envolvimento da Comunidade.
Isso gera renda, respeito e a velha máxima: "eu fiz parte" ,  em termos psicológicos é inigualável para o cidadão.  A campanha de marketing foi  feita pela rede de comunicação Brazucah, que tem alunos universitários e secundaristas de escolas públicas.
Talvez, um filme mais do mesmo...Não, sei. Gostei do roteiro, da fotografia, da trilha sonora, dos atores. Arrisco dizer, que até me emocionei.Vale a pipoca!





1 comentários:

"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho." (Orson Welles)

 

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