Extremely Loud & Incredily Close




 "Após, o dia fatídico, tenho medo de muitas coisas.Transporte público me causa pânico,idosos, pessoas correndo,aviões,coisas barulhentas, mochila sem dono,tênis sem dono, pontes...."
Com direção de Stephen Daldry (realizador de O Leitor) , o mesmo diretor que alguns chamam de 'frio', que não apela pelas emoções, etc. Em meu ponto de vista, ele foi brilhante. Conseguiu dar gás em um um roteiro óbvio, acertou na dose de pseudo emoções, foi levemente a fundo no assunto estresse pós traumático e completou com a trilha sonora de Alexandre Desplat. O filme e baseado no livro de Jonathan Safran Foer, nascido em Washington, DC, filho de Albert Foer, um advogado, e Ester Foer, presidente de uma empresa de relações públicas. Graduado em Filosofia, viajou para Ucrânia para completar sua tese.Em 2001, editou a antologia A Convergence of Birds: Original Fiction and Poetry Inspired by the Work of Joseph Cornell, para a qual contribuiu com o conto "If the Aging Magician Should Begin to Believe." Sua tese de Princeton tornou-se O segundo romance de Foer, Extremamente alto e incrivelmente perto, foi publicado em 2005.No romance, Foer usa 11/09 como pano de fundo. Em 2005, Foer escreveu o libreto para uma ópera intitulada Seven Attempted Escapes From Silence, que estreou na Ópera Estatal de Berlim em 14 de Setembro de 2005.o romance Everything Is Illuminated, que foi publicado pela Houghton Mifflin em 2002 . O livro valeu-lhe um National Jewish Book Award e um Guardian First Book Award . Em 2005, Liev Schreiber escreveu e dirigiu uma adaptação cinematográfica do romance, estrelado por Elijah Wood.O segundo romance de Foer, Extremamente alto e incrivelmente perto, foi publicado em 2005. No romance, Foer usa 11/09 como pano de fundo para a história de Oskar Schell. Os direitos de filmagem do livro foram adquiridos pela Warner Bros e pela Paramout.
No   elenco temos Thomas Horn, Sandra Bullock, Tom Hanks, Max Von Sydow, Viola Davis, entre outros. Na trama, um menino de nove anos encontra uma chave misteriosa(com um nome no verso de um envelope) deixado para trás pelo seu pai (interpretado por Tom Hanks), que morreu no World Trade Center, 11 de Setembro de 2001. Com chave nas mães e o nome do 'suposto' dono, embarcamos em uma misteriosa, melancólica e apaixonante história sobre família, esperança, superação e recomeço.Bom, antes de entrarmos um pouquinho em estresse pós traumático, quero deixar registrado meu amor pelo personagem de Thomas Horn(excelente ator), muitos disseram que o roteiro fez um personagem: chato, irritante, um suposto caso de Síndrome de Asperger, um mimado, metidinho à besta...Quem já sofreu ou conhece alguém que tenha sofrido de estresse pós traumático, TOC ou síndrome do pânico; sabe a dor que  e compreende por completo a excelente atuação deste ator.Para os mais sensíveis, seu sofrimento fica notório na cena que ele discute com a mãe e depois diz:"não queria que fosse você". O conflito entre mãe filho, gerado após atentado 11 setembro, é muito bem trabalhado no filme, mostrando o que é viver em constante estado de alerta. Outro ponto muito bem elaborado, foi a cena em que Oskar, desvenda ligações com as bombas em Dresden e Hiroshima, na 2ª Guerra Mundial. Numa mistura de drama emocional inspirado em fatos, teorias conspiratórias, o filme se encarrega de ampliar nossa reflexão sobre essa tragédia e o resultado traumático deixado em muitas famílias
 O transtorno de estresse pós-traumático pode ser entendido como a perturbação psíquica decorrente e relacionada a um evento fortemente ameaçador ao próprio paciente ou sendo este apenas testemunha da tragédia. O transtorno consiste num tipo de recordação que é melhor definido como revivescência pois é muito mais forte que uma simples recordação. Na revivescência além de recordar as imagens o paciente sente como se estivesse vivendo novamente a tragédia com todo o sofrimento que ela causou originalmente. O transtorno então é a recorrência do sofrimento original de um trauma, que além do próprio sofrimento é desencadeante também de alterações neurobiológicas e mentais..
O primeiro aspecto a ser definido é a existência de um evento traumatizante. Aquele suficientemente marcante, não há dúvidas quanto a ser ameaçador à vida ou à integridade individual, como os sequestros, assaltos violentos, estupros. No caso, de Oskar vimos o quanto essa morte prematura , extremamente violenta alterou seu comportamento e o modo como ele teve que lidar com o que lhe sobrou tornando-o triste, revoltado e em constante estado de alerta.


 É nítido no filme, vivenciarmos através de Oskar, suas recordações vivas,intrusivas  (involuntárias    e abruptas) do evento, incluindo a recordação do que pensou, sentiu ou percebeu enquanto vivia o evento traumático.
Ele sentia como se o evento fosse acontecer de novo, chegando a comportar-se como se estivesse de fato vivendo de novo o evento traumático. Seus flashbacks eram constantes e como vimos no início do filme, ele retratando as situações que lembram o evento causando intenso sofrimento.
Em algumas cenas, podemos perceber que ele até tentava  evitar(para si e para a mãe) os assuntos que lembravam o dia fatídico( cena da secretária eletrônica), como também as conversas, pessoas e sensações, tudo que se relacione ao trauma. A recordação dos aspectos essenciais do trauma pode também ser apagada da memória. A pessoa pode afastar-se do convívio social e outras atividades mesmo que não relacionadas ao evento. Pode passar a sentir-se diferente das outras pessoas. Pode passar a ter dificuldade de sentir determinadas emoções, como se houvesse um embaralhamento geral dos afetos. Pode passar a encarar as coisas com uma perspectiva de futuro mais restrita, passando a viver como se fosse morrer dentro de poucos anos, sem que exista nenhum motivo para isso. 
Outros sintomas podem ser também insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração, respostas exageradas a estímulos normais ou banais.

Assim, como Oskar, ninguém está 100% livre de desenvolver este distúrbio, desde uma criança até um ancião. Os sintomas não surgem necessariamente logo após o evento, podem levar meses. O intervalo mais comum entre evento traumatizante e o início dos sintomas são três meses. Muitas pessoas se recuperam dos sintomas em seis meses aproximadamente, outras podem ficar com os sintomas durante anos.


Tratamento?
Terapia,acompanhamento médico, alguns psiquiatras   ainda tratam os pacientes com sertralina(muito usado nos EUA) conseguem resultados satisfatórios. 
Muito amor, respeito,paciência e compreensão complementam o tratamento.No filme, temos esse retrato bem próximo ao quadro de um paciente com estresse pós traumático, ao mesmo tempo temos cenas belíssimas do quinto distrito, onde o protagonista percorre em busca da fechadura perfeita. O verdadeiro labirinto de emoções(sim, temos esses momentos) que os outros atores proporcionam é digno de diário de bolso.O olhar daquela família cristã, os abraços daquele senhor cabeludo, o silêncio em gestos do avô(interpretado belamente por Max von Sydow), o choro da esposa recém separada...Tudo culmina em um verdadeiro estado de euforia e paixão por este filme.Sim, confesso que tenho amor por essa história.Quantas vezes estamos tão perto e tão longe, daqueles que amamos ou daquele sentimento de liberdade do próprio medo?
"Nada irá me impedir...Nem eu mesmo!"

3 comentários:

  1. Me emocionei muito mais com Billy Elliot e até mesmo O Leitor, muito embora seu melhor filme seja "As Horas". O garoto não é tão carismático, vale pelo Tom Hanks, como sempre competente, um tipo de ator com uma característica habitual, mas que ao mesmo tempo é capaz de interpretar qualquer papel como um camaleão. Gosto da Sandra tb.

    Belo texto Pati.
    Bjs.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Rô,

      Tudo Bem?
      Sem dúvida Billy Elliot nem é comparável a este,rs.
      Mas, o que percebi é que o fato do garoto representar tão fielmente,o quadro dessa doença...Talvez, isso tenha colocado como um ator chato e sem encanto.
      Na verdade, pacientes que sofrem com isso ou TOC, ou outros distúrbios...Muitas vezes são deixados de lado, incompreendidos..
      Sei isso na pele,rs.
      Enfim, adorei sua passagem por aqui!
      beijo enoooorme

      Excluir
  2. Oi,

    Este filme me deixou muito deprimida...
    Tive uma amiga que perdeu um parente na tragédia ...Pelo "pouco" que conheço N.Y .. Morei,trabalhei por lá, percebi que os momentos de pânico são constantes(mesmo antes da tragédia) lá é tudo muito imenso, intenso, expresso ao cubo e armamentista ao extremo.

    Este filme retrata um pouco o que é essa 'tensão' em se viver na big apple.

    Beijos

    ResponderExcluir

"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho." (Orson Welles)

 

Google+ Followers

Follow by Email