Filme: Os Miseráveis


A mais recente adaptação cinematográfica para o livro homônimo de Victor Hugo e um dos musicais que mais tempo permaneceu em cartaz na Broadway, Os Miseráveis (Le Miserables), vem com uma produção digna de Hollywood, que recebeu diversas indicações ao Oscar.

Muitos devem conhecer a obra de 1982 de Victor Hugo, que cruza as histórias de um prisioneiro recém liberto, Jean Valjean, com o inspetor policial Javert, a pobre Fantine e sua filha Cosett e posteriormente, o nobre Marius.

Devo citar como Hugh Jackman ficou irreconhecível no início do filme como Jean Valjean, prisioneiro que ficou preso 19 anos por roubar um pão para sua família. Hugh Jackman fez dieta de emagrecimento e desidratação para viver o personagem. Quando Valjean se reergue e se torna o dono de uma fábrica de costura e prefeito da cidade, sua aparência já é mais jovial e agradável.

O drama da vida de Valjean comove desde o início, indo parar nas ruas sem dignidade alguma, mas no fundo ele sabe que nada fez além de roubar um pão para crianças famintas. Ao dar a volta por cima, ainda se olha no espelho e faz a constante reflexão sobre quem realmente ele é, um homem mau que cometeu crimes graves, ou um homem bom que só queria alimentar sua família? Todo o conflito é embalado brilhantemente pela canção "Who am i?"

Apesar da vida difícil de Valjean, o personagem que mais sofre é de longe, Fantine. Anne Hathaway passa o sofrimento da personagem em cada gesto. A cena em que ela corta o cabelo é muito emocionante, magra e sem vaidade alguma, Anne mostra que de fato emprestou seu corpo para a alma de Fantine. Nem vou citar a interpretação dela em "I dreamed a dream" que já foi explorada ao máximo pela mídia.

Russell Crowe me surpreendeu no papel do inspetor Javert porque eu não sabia que ele fazia boas interpretações cantando (não dá para imaginar o Gladiador cantando né, rs). Javert é um fiel servidor da lei, e passa a vida perseguindo Valjean, que consegue fugir dele várias vezes. Até que ele, que não é um homem mal de qualquer forma, põe em xeque seu dever com a lei e a aceitação de que Valjean é um homem bom.

O filme para mim se tornou mais especial pela escolha de Eddie Redmayne para interpretar Marius. Eddie é um ótimo ator que fez um bom trabalho como um homem nobre que se junta aos rebeldes, cantando com emoção e energia.

A mais fraquinha neste filme foi Amanda Seyfield (Cosett), acredito que por suas poucas aparições e não profundidade de sua personagem. O casal Thenardier dá um toque de humor ao filme, sendo interpretados por Sacha Baron Cohen e Helena Boham Carter, são dois vigaristas que não perdem a oportunidade de levar o deles em qualquer situação. A atriz Samanta Barks - estreiante no cinema, interpretou Eponine no teatro - foi uma surpresa boa. Cantado lindamente e com emoção, fez uma perfeita Eponine nas telonas.

O Musical me surpreendeu por ser praticamente 95% cantado, diferente de outros musicais onde as canções entram em momentos que necessitam destaque ou em que hajam vazão para coreografias. Assim como em "Across the Universe", os atores interpretaram as canções ao vivo em cena, o que já deixa a cena mais intensa e dramática.

A miséria que que a sociedade Francesa passou naquele época foi bem retratada neste filme, com figurinos e ambientação perfeita. Este background permitiu canções interessantes interpretadas pelo povo miserável com grande carga crítica.Os Miseráveis permanece nos nosso corações como uma obra histórica sobre justiça, perdão e redenção retratada de forma digna com qualidade e emoção.



2 comentários:

  1. Jane*,
    Adorei esse texto em forma de presente(mês de aniversário)
    Amei, amei e amei tudo o que vc conseguiu 'sentir', sobre o filme!

    beijaõoooooooooo

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  2. Eu gostei bastante do filme, ele cumpriu ao menos aquilo que eu já esperava e manteve intacto aquilo que pra mim é o essencial da história, o embate entre a 'lei' e a 'graça'. Acho que podemos considerá-lo uma adaptação direta da peça e não do livro, isso explica diversos tipos de abordagens que vemos nas telas, que forma escolhidos em detrimento de outros.

    http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2013/05/eles-eram-muitos-cavalos-luiz-ruffato.html

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"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho." (Orson Welles)

 

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