Gordos!

Saudações Cinéfilos!
 Esta é a minha primeira participação como colaboradora aqui no blog à convite da querida amiga Patrícia Baleeeira, aliás, somos companheiras de postagens lá no Antes Que Ordinárias!Eu estava extremamente indecisa sobre o que escrever,afinal,mantenho uma "nota mental" de tudo aquilo que eu considero interessante,e não vou mentir,me bateu uma insegurança danada quanto à escolha do filme que eu deveria dar minha humilde opinião,afinal,eu quero agradar a todos que já acompanham o blog! 
Obviamente não posso fugir de quem eu sou,então já vou avisando que gosto  muito de obras made in oriente, ou que passem desapercebidas,negativa ou positivamente.Portanto resolvi colocar um pouco de lado esta minha indecisão,pois achei o filme perfeito para estrear aqui no Cinéfilos,o título já diz tudo: Gordos.

É um filme espanhol de 2009,classificado como comédia,mas conseguiu me arrancar lágrimas,ininterruptas,apesar de ter situações realmente engraçadas,então está mais para um drama bem trabalhado,na minha opinião.
E me arrancou lágrimas porquê? Eu sou gorda,vivi muitas situações expostas no filme, mas ser gorda é relativo,muito relativo! Sinceramente,julgando apenas pela imagem promocional eu pensei -caramba,lá vem mais um filme de besteirol sobre gordos,mas me equivoquei, o conteúdo é profundo e serve de reflexão para pessoas de qualquer calibre!
AH, É CLARO DEIXO UM AVISO: CUIDADO,SPOILER LEVEL EXTREME !
Estamos acostumados com todo tipo de chacota às pessoas gordas,simplesmente porque o padrão que a sociedade apregoa é ser uma criatura irrealísticamente impecável. Pululam na mídia centenas e centenas de vídeos de gordos fazendo "gordices",um  "lembrete " dos malefícios de ser gordo: Você não apenas vai deixar de vestir sua calça da moda,vai ser um fracasso em todos os sentidos,também será retardado,burro,desajeitado,feio,não fará sexo,não terá amizades...Que maldade né,gordo também é gente!


 Pensando nisso, mais uma vez,pululam na mídia,maneiras "bem - intencionas" de (re) inserção do gordo na sociedade,afinal,todos merecem ter o seu lugar - estreito - ao sol. Justamente assim é que começa o filme,com um daqueles comerciais-show intermináveis, grandessíssima fachada caça-níqueis,com direito a ofertas subliminares piscando na tela do expectador.O showman obviamente é o ex-gordo liberto que está ali para indicar o caminho,o El Dorado para aquela platéia imensa de pessoas que almejam chegar aos padrões milagrosamente,de um dia para o outro.

Confesso que achei o estilo muito parecido com o do médico cardiologista Dr.Oz, realmente uma pessoa carismática. E de passo em passo,intercalando com a história dos personagens,ele estará lá incentivando-os a mudar de postura - contanto que no final comprem o bagulho! u-u.O ponto de encontro dos personagens é na terapia,pouco ortodoxa como há de se observar o método empregado,tirar a roupa, e quem toma a iniciativa é o próprio psicoterapeuta . Adiantando aqui para vocês, funciona e não funciona,depende muito do que está acontecendo na vida da pessoa,ou seja,a proposta do filme é mostrar que a gordura não é a causa de todos os problemas na vida dos personagens ,muito pelo contrário,os problemas é que levam à obesidade.

Por exemplo, o ator que amargava a crítica negativa e o anonimato,era uma pessoa que não conseguia se relacionar seriamente,mas a partir do momento que começou a se relacionar, por acaso,com a mulher de seu sócio,percebe que sua vida passa a fazer todo o sentido,ele finalmente se encontra.Detalhe: ´Tornou-se gordo porque tinha vergonha de ser gay e entrou em parafuso quando, ao agredir o seu sócio, e sofrer em seguida um infarte,foi  morar com a mulher deste com o objetivo de confortá-la e sentir-se menos culpado.

Ela por sua vez assedia-o e o conflito é este,ele luta contra seus desejos e seus ideais. Ele fugia dela,dizia que não podia mudar o que era,mas ela veio com um belo argumento de que quando se encontra a pessoa certa,não há barreiras. Realmente,ele não deixou de ser o que era,mas houve algo adicional, o amor por aquela mulher,que o fez ser capaz de fazer qualquer coisa!O filme tem imagens que podem chocar aos mais desavisados,nada pesado,não é pornografia,mas é pelo choque de visões alternativas. E certamente o revezamento entre os dois com o auxílio de uma "cinta-pau" me provocou gargalhadas! Realmente,quem gosta sabe o que é que agrada o seu parceiro,sabe quais são as suas necessidades!

A profissional bem sucedida,relacionava-se com o namorado à distância e temia o seu retorno pois estava acima do peso. Conforme o desenrolar da história podemos perceber que a sua personalidade é egoísta e individualista e que engordar foi apenas um estratagema para sair-se de um relacionamento duradouro e viver apenas casos furtuitos,pois tinha a atenção toda voltada para si durante um tempo sem a necessidade de vínculo,mas o detalhe é que  tem que ser com homens que tenham vida conjugal,talvez pelo sabor de tomar algo que já pertence a outro alguém.O perito foi o único dos personagens que manteve o mesmo calibre do início até o fim do filme e o seu núcleo familiar é caótico. Tudo ali me lembrou a minha própria família,meus pais,de certa forma,para lhes ser sincera. Em nenhum momento ele sente-se desconfortável com a sua gordura,mesmo tendo casos de morte prematura na família. Ele não apenas gosta de comer como engorda todos à sua volta. Também é relapso com os seus filhos ( que vivem se estranhando), na verdade, os acha um empecilho à sua vida de prazeres,principalmente os sexuais com a sua esposa.

 Bem meu pai mesmo...Mas só até essa parte,pois eu e meu irmão somos consanguíneos bilateralmente, e que eu saiba,apesar dos pesares nunca houve pulada de cerca entre ambas as partes.Explico: Nem a descoberta de que sua mulher o traiu e que um de seus filhos não é seu o abalou,que dirá o vídeo de sexo entre os dois que vazou na internet... No máximo,por saber que sua mulher tem uma natureza muito "dada", vive de experimentos forenses para saber quem é o pai do filho que não é dele.São personagens extremamente carnais,contrariando a premissa de que gordos não combinam com sexo..

A beata é a minha personagem favorita,ela foi a que mais absorveu verdadeiramente a terapia,aprendeu a expor as suas necessidades e denunciar abusos. É uma menina gorda que mesmo tendo um companheiro não trava contato físico com ele,pois este vive de evitá-la com a história de "só depois do casamento" e que de repente começa a desabrochar com a prática do sexo.Sua história é repleta de conflitos entre a crença religiosa e a natureza do próprio ser humano,agravados pelo fanatismo de seu noivo,que passa a desejar que a amada regrida para não sentir-se ofendido,mas por trás de toda essa resistência,revela-se que ele é viciado em pornografia e tenta suprimir,até encobrir essa faceta de sua personalidade com auxílio da religião. A partir do momento em que ela torna-se atraente,ele já não é mais capaz de esconder o seu verdadeiro "eu" e em resposta a aprisiona aos seus tabus. Ele só não esperaria que ela fosse reagir lindamente e dar-lhe um fora. É outra que posso encontrar alguns pontos  de singularidade. Confesso que não entendi o que houve com ela no final,gostaria que vocês me dessem a sua opinião após assistir o filme.

Finalmente, temos o psicoterapeuta,sem ele os pacientes não teriam vivenciado tantas experiências. O que dizer sobre ele? Um caso de condicionamento ou hipocrisia simplesmente? Ambos. O cara tem a vida perfeita e se dedica a ajudar os mais desafortunados com métodos não-convencionais,como tirar a roupa e conversinha em balcão de bar.Todo esse verniz de perfeição logo decai quando sua mulher engravida e ele passa a repudiá-la .Como no caso do namorado da beata,quem desdenha quer comprar. Ficou a impressão que a terapia é uma isca para conseguir sexo fácil com pessoas gordas sem levantar suspeitas,um tipo de fetiche secreto,mas a partir do momento que sua mulher começa a ter seu corpo modificado pela gestação entra em conflito o condicionamento social de se ter a mulher perfeita,com tudo em ordem e o tesão por pessoas corpulentas.

 É um personagem que tem  vida dupla. A traição neste caso,acredito que seja algo corriqueiro na rotina do psicólogo apesar de que para a mulher ficou como se fosse a primeira- e última vez que ele fez isso. Pouco foi preciso para abalar uma estrutura que foi construida na areia e não na rocha como deveria ser.  E mais uma vez,uma cena impressionante: O orgasmo dele,combinado com o esforço dela no parto,chorei muito porque acontecimentos como esse impactaram enormemente a minha vida. É hipocrisia dele,não querer ser punido com a distância da esposa,se ao mesmo tempo mantém amante. Chantagem emocional sem um pingo de emoção."Eu mudo quando me aceitar" não é condição,a pessoa que diz que vai mudar sabe que nunca vai parar,é como todos os outros vícios que existem,tipo beber,se drogar...até comer! Se um dia houver mudança,esta não dependerá de ninguém a não ser dele próprio,quando ele passar a achar que o que faz é realmente errado,quando não mais repetir que está errado apenas por condicionamento.

 Tanta coisa que se diz errada por aí ,as pessoas fingem  se importar e fazem bem pior né? O segredo é a diferenciação interna.Estes são os personagens. Na trama cada um vai desempenhar um importante papel.Portanto assistam e surpreendam-se sabendo quem é quem nesta fabulosa história em que a obesidade é o fio condutor. Vão se emocionar,eu garanto!




Para quem tem curiosidade de assistir ao filme,disponibilizo o link para assisti-lo online

                                             CLIQUE AQUI : GORDOS


Espero que tenham gostado!

9 comentários:

  1. Ana Carolina, não li o texto por completo por causa de seu alerta de spoiler, mas só a sua introdução já despertou minha curiosidade em relação ao filme. Infelizmente não são só os gordos que são excluídos pelos padrões adotados pela sociedade, basta ser diferente, não enquadrar nas regras ditadas em relação à aparência, ou tão somente ter gostos e ideias divergentes daqueles adotados pela maioria... Eu sei bem o que é isso...

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    1. Exato J. Bruno este excesso de regras até para não ter regras impedem as pessoas de vivenciar a vida. Passamos a vida toda preocupados com isso que quando nos damos conta,já era,finito! Realmente é um filme excelente,está em outro patamar,este sim tem roteiro!

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  2. Que fabuloso! Assisti "Gordos" há algum tempo atrás e também me surpreendi pela abordagem do filme. É algo que te trás um ganho, uma possibilidade de reflexão e que te ajuda a elaborar um pensamento próprio a respeito do assunto. Gostei muito da tua análise dos personagens. Realmente, eles se descobrem durante o filme e por que não dizer que nós também??!!!

    Ótima resenha,
    abraços

    www.cinefreud.com

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    1. Sim Renato,descobri por acaso porque fico vasculhando a internet atrás de coisas que não vi ainda,não importa de que época sejam, e decidi teclar de imediato tamanha a minha grata surpresa,dei até uma corrigida agora kkk mas sim, ele ajuda a refletir o que acontece em nossas próprias vidas,o que vai certo,o que vai errado, coisas que outras pessoas fazem influem em nossas vidas e o mesmo pode-se dizer de nós, é um exercício constante de consciência,afinal,o que é do homem se ele não examinar-se a si mesmo?

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  3. Nossaaaaaaaaaaaaaaa, faz um tempinho que vi e confesso que preciso rever,rs.

    Sua resenha? Mais completa? Impossível,rs.

    Amei!!!

    Lembra que você tinha prometido aquela outra né?
    Do filme que tem a enfermeira...Outro dia vi o final do filme...rs.

    bjsssssssssssssss

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  4. venho aqui pedir uma ajuda... eu instalei esse mesmo templante do seu blog no meu . mais os menus nao consigo editar vc sabe com faz isso ?

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    1. Olá,
      tudo bem?
      Quem me ajudou a finalizar o layout foi a ANA CAROLINA(a mesma que teclou este texto) Se puder add o ctt dela, ok?
      beijos e volte sempre.

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  5. tem como postar o filme outra vez.
    obrigado
    Ps. gostaria muito de assistir.

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  6. Pelo que eu entendi, parece que na cena final da beata o diretor queria muito colocar a cena espírita...Depois ficou em duvida se aquilo seria verdade, um sonho ou uma brincadeira/tentativa de reatar o relacionamento, então deixou o final dela em aberto uaheuaheuhaeuhauhe

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"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho." (Orson Welles)

 

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