Uma História de Amor



O filme marca a estreia do ator Justin Theroux, como diretor, atuou em Cidade dos Sonhos e 4Temporada de Six Feet Under. Um antissocial, emocionalmente alterado, autor de livros infantis de sucesso que é forçado a trabalhar com uma bela ilustradora, depois que seu melhor amigo e colaborador criativo morre. Enquanto Henry Roth luta para deixar os fantasmas de amor e vida irem embora, ele descobre que talvez seja necessário um pouco de dedicação.Ele é neurótico, tem TOC que é um transtorno de ansiedade caracterizado por pensamentos obsessivos e compulsivos no qual o indivíduo tem comportamentos considerados estranhos para a sociedade ou para a própria pessoa; normalmente trata-se de ideias exageradas e irracionais de saúde, higiene, organização, simetria, perfeição ou manias e "rituais" que são incontroláveis ou dificilmente controláveis. Henry, ainda se  utiliza do sarcasmo como mecanismo de defesa; o que muitas vezes acaba magoando às pessoas. "Órfão" de pai, onde essa separação resultou em inexistência de sentimentos, ele entrou em um sofrimento familiar gerando esse estopim para solidão. Ele adora dormir no chão de preferência com objetos pesados sobre ele para sentir segurança, tem livros por todo lado, reside em um apartamento studio, tem parede com tijolos aparecendo, mesa inox, muitas manias, tudo pra ele é anti horário, ele chora depois de gozar, tem superstição com números, não crê em jogos da loteria.. Seu lema é - A vida não é nada mais que a explosão ocasional de risos sobre um interminável lamento de dor. 
Assim é Henry Roth! Muito mais que um filme de amor. O enredo nos mostra como é o sofrimento e a falta de compreensão com pessoas como Henry. O fato do meu humor ser sarcástico, meu lado realista imperar, meus pés no chão mostrarem como a realidade da vida pode ser ácida, ter manias, sofrer de TOC,sofrer de sincericídio crônico...Isso faz com que eu ou Henry seja ruim?
O que faz sua grama ser mais verde que a dele? Solidão de Henry é algo que te incomoda? 
Provavelmente,não! 
O filme mostra que o mundo não dá a mínima, para o que você é, pensa ou realmente faz.O mundo é expresso, o tempo urge, seus amigos de ontem possuem outros planos, muitos sorriem em sua frente vomitam por trás e o planeta segue e ainda é azul. O longa conta com recursos na montagem, utilizando a junção de uma cena(no caso do passado do protagonista)em uma sequência com outra. Algumas vezes, utiliza a fusão que é quando a imagem de uma cena ou uma sequência vai se dissolvendo enquanto a seguinte já está aparecendo; por alguns segundos, ou frações de segundos.
Normalmente, de uma maneira geral, a fusão indica uma passagem de tempo mais rápida entre uma sequência e outra do que quando há o fade out e fade in. 
Uma das cenas mais charmosas, é quando Henry procura na praia uma pedrinha que tinha dado para a Lucy Reilly, que também está machucada e arredia, devido um romance que não deu certo.Naquele momento obsessivo, que ele corre os cantos da areia procurando a pedrinha nos mostra um Henry menos neurótico e mais esperançoso. O filme nos mostra que o encontro deles não foi por acaso.
Ao mesmo tempo que vemos um Henry, sozinho no mundo, um neurótico chato, que não precisa pagar aluguel, com uma sinceridade que incomoda e que tem uma profissão que ama e odeia....
Lucy, consegue ver o que por trás daquele sofrimento.Muitas vezes, nós deixamos de lado o que somos para mantermos nossas máscaras. Quando descobrimos alguém que pode desvendar nosso disfarce, aí parece ficar mais interessante viver.
O mundo machuca? Fere? Deixa em depressão? Causa suicídio ou solidão? Às vezes, tudo dependerá do quanto você se importa. Para viver tranquilamente, muitas vezes, o ideal é não depositar expectativas em situações ou pessoas.Mundo é  um lugar onde muitas vezes, precisamos ser o que realmente NÃO somos.O melhor amigo de Henry em certo momento pergunta:
" Hey, o que é vida?
Henry said: Uma imensa risadinha ao caminho do inferno!"
         No fundo o lado misógino de Henry é apenas uma fuga temporária do que é VIVER.
 


6 comentários:

  1. Não conhecia esse filme, pareceu interessante. Não tenho TOC, mas acho que entendo esse personagem, pelo que você descreveu. E adorei essa expressão "sincericídio"... Beijos, Patricia.

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    1. Ivanildo,
      esse filme vale e muito a pena ser visto!
      tá beeeeeeeeeem longe de ser o que o se lê no titulo.
      bjs e volte sempreeeeee

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  2. Gostei do texto Pati, posso chamá-la assim? rs Todas as Patricias eu chamo assim, rs

    Não sou muito fã do gênero, mas quando ele tem mais do que uma clichê love story eu topo uma sessão. Até porque pelo que notei este filme andou por aí em festivais importantes. Gostei do trailer e deste elenco. Billy Crudup é ótimo. Adoro ele em "Quase Famosos" e "Peixe Grande".

    Beijos

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    1. Digãooooo Vader,

      Pode me chamar de Patt? Claro, que sim!
      Também tenho costume de fugir de filmes romanticos(se bem que adorei 10 coisas que odeio em vc) enfim, este filme é maravilhoso com uns takes revivendo passado(adoro aquilo) uma trilha impecável e o nosso Billy né?
      Mais um personagem que é totalmente : EU.
      bjs e volte sempre tá?

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  3. Tirando o TOC acho que somos bem parecidos, eu, você e o personagem e isso vai do uso do sarcasmo como mecanismo de defesa à adoção do realismo como estilo de vida em detrimento de sonhos e aspirações... Fiquei curioso para ver o filme, eu sempre me identifico com este tipo de personagem que se vê obrigado com o vazio existencial...

    http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/07/o-pequeno-principe.html

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  4. Eu não conhecia este filme...
    Mas, adorei o conceito, principalmente do personagem principal.
    Este sarcasmo é o mal de muitos solitários como nós!

    ;D

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"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho." (Orson Welles)

 

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